Você sabe no que se diferenciam os alimentos orgânicos e inorgânicos?

O mundo tem necessidade de produzir sempre mais. Além disso, a gestão empresarial dos processos produtivos agrícolas levou à necessidade de rendimento e produtividade cada vez maiores.

Para alcançá-los com resultados positivos, foi necessária a adoção de tecnologias mais avançadas e adequadas para grandes produções.

Do mesmo modo, a utilização de insumos agrícolas tornou-se mais intensa, principalmente quando falamos dos defensivos e fertilizantes químicos sintéticos.

Assim, os defensivos químicos (agrotóxicos) para controle de pragas e doenças protegem a lavoura, enquanto os fertilizantes produzidos pelas indústrias químicas garantem maior produtividade no campo.

No entanto, produzir mais não significa garantir uma produção melhor. E, desse modo, surge a produção orgânica de alimentos, com os olhos voltados para a qualidade do alimento produzido e para uma vida saudável.

Acompanhe este post e conheça as principais diferenças entre alimentos orgânicos e inorgânicos, inclusive para microalgas!

 

Alimentos orgânicos e inorgânicos

Recentes revisões em centenas de trabalhos científicos a respeito dos aspectos nutricionais dos alimentos orgânicos e inorgânicos demonstraram que não há exatamente uma diferença na quantidade de nutrientes entre os dois.

Com exceção do fósforo, nutriente em que os alimentos orgânicos são mais ricos, os demais podem estar presentes em todos.

No entanto, não é apenas a quantidade de nutrientes que caracteriza a sua superior qualidade para o consumo humano.

É preciso também considerar a segurança alimentar, isto é, a sua não contaminação com elementos químicos sintéticos utilizados na agricultura convencional, e até mesmo microorganismos patogênicos.

Assim, o sistema de produção agrícola adotado é que caracteriza a condição orgânica do alimento.

 

Sistemas de produção diferentes

A agricultura orgânica não faz uso de defensivos químicos para proteger a lavoura das pragas e doenças que a podem atingir. Para a proteção das plantas cultivadas, a produção orgânica lança mão de técnicas como:

  1. rodízio de culturas — a cada colheita, a espécie cultivada é trocada, evitando o plantio sucessivo de plantas da mesma família, uma vez que, via de regra, são suscetíveis às mesmas doenças e têm exigências nutricionais diferentes;
  2. consórcio de culturas: espécies diferentes são plantadas de modo intercalado, com o objetivo de interromper a continuidade espacial de plantas igualmente suscetíveis às mesmas pragas e doenças, assim como de exigências nutricionais diferentes;
  3. plantas atrativas: cultivam-se nas proximidades da lavoura plantas que atraem as pragas, de modo a facilitar o seu controle;
  4. inseticidas naturais — plantas como o tabaco e a flor de píretro, dentre muitas outras, são utilizadas para a produção de caldas inseticidas empregadas na lavoura orgânica.Por outro lado, a produção agrícola orgânica não faz uso de fertilizantes químicos. A correção dos solos do ponto de vista nutricional, físico e químico se realiza com produtos naturais, oriundos da moagem de rochas, principalmente.
 

Outra forma de atender às necessidades físico-químicas dos solos é a utilização do composto orgânico.

Além dos aspectos dos defensivos e fertilizantes químicos utilizados pela agricultura convencional, os alimentos orgânicos caracterizam-se ainda por não serem produzidos com o uso das chamadas sementes transgênicas, resultantes de manipulação genética.

 

Benefícios do consumo de alimentos orgânicos

O consumo de alimentos orgânicos caracteriza um aspecto da alimentação mais natural e traz algumas vantagens para a saúde, sobretudo para as crianças.

Por sua vez, o meio ambiente também é beneficiado com a prática orgânica. Veja abaixo as principais vantagens:

 

Isenção de agrotóxicos

A produção agrícola moderna, em especial para determinadas culturas mais sensíveis, faz uso intensivo de defensivos químicos.

Assim, inseticidas, fungicidas e herbicidas, dentre tantos outros, deixam resíduos nos vegetais (raízes, folhas, frutos). Muitas vezes, mesmo uma boa lavagem desses produtos não é capaz de eliminá-los, pois penetram nos tecidos da planta.

Por isso, é essencial incluir agentes detoxificantes em sua alimentação, como um superalimento detox!

 

Sabor e aroma mais intensos

Na agricultura orgânica não há um esforço químico por meio de fertilizantes para induzir ao crescimento, pois o foco não é a aparência do produto.

Desse modo, os alimentos orgânicos são mais íntegros e equilibrados em sua constituição natural, resultando em produtos mais saborosos, com formato e tamanho comuns, além de aromas mais intensos.

 

Proteção das águas

Todo produto aplicado na lavoura, seja o adubo químico ou os diversos defensivos, com a vinda das chuvas, logo alcança os corpos d’água (riachos, córregos, lagos), contaminando-os.

Por outro lado, as águas da chuva também infiltram-se, movimentam-se no interior do solo e alcançam os lençóis freáticos carregadas com altas quantidades desses produtos.

A prática da agricultura orgânica evita a contaminação das águas, protegendo plantas, animais e pessoas do risco de um processo de intoxicação acumulativa.

 

Proteção dos solos

Outro grande ponto de atenção quando falamos de alimentos orgânicos e inorgânicos diz respeito ao solo. Solos cultivados pelo sistema convencional rapidamente perdem importantes características biológicas, tornando-se meros substratos físicos e químicos em razão da exclusão da vida que neles naturalmente pulsa.

Da mesma forma que a agricultura orgânica protege as águas, também a vitalidade dos solos é protegida do efeito residual (acumulação) resultante da utilização de adubos químicos, e principalmente do intenso uso de agrotóxicos.

 

Proteção da biodiversidade local

O conjunto de todos os seres que vivem em um local tende a desenvolver relações de equilíbrio entre si e com o meio ambiente em que estão inseridos.

Nesse contexto, a utilização de biocidas (produtos para matar plantas invasoras, insetos, fungos) afeta drasticamente esse equilíbrio e elimina diversas formas de vida animal e vegetal.

A agricultura orgânica, ao contrário, estimula essas relações e provoca um incremento na biodiversidade das regiões onde é implantada.

Desse modo, microrganismos, minhocas e insetos, assim como grandes animais que participam daquele equilíbrio, são profundamente beneficiados com a produção de alimentos orgânicos.

 

Sustentabilidade garantida

Se você é alguém que se preocupa com práticas e com uma alimentação sustentável, não tem porque ter dúvidas sobre apostar em alimentos orgânicos ou inorgânicos!

A natureza da prática agrícola orgânica é totalmente sustentável, uma vez que o seu princípio é o fomento da reciclagem natural dos materiais orgânicos na propriedade.

Portanto, na produção do alimento orgânico, não há exaurimento do solo (esgotamento da capacidade produtiva).

Dessa forma, o abastecimento de futuras gerações pode ser garantido, principalmente se cada vez mais consumidores utilizarem alimentos orgânicos.

 

Estímulo à produção orgânica

Quanto mais as pessoas fizerem uso de alimentos orgânicos, maior será a demanda, e desse modo estimula-se a produção. Assim, mais produtores adeptos às práticas surgem e a diferença entre o consumo de alimentos orgânicos e inorgânicos é cada vez mais reduzida.

Com isso, reafirma-se a garantia oferecida pela sustentabilidade de abastecimento das futuras gerações de modo a não comprometer a disponibilidade de alimentos mais saudáveis.

 

Conceito orgânico para microalgas

Em relação ao cultivo de microalgas, os principais pontos de atenção de um cultivo orgânico se mantém:

  • não utilização de nutrientes inorgânicos e/ou sintéticos;
  • ausência de agrotóxicos pesticidas, herbicidas, inseticidas ou qualquer outra substância dessa natureza.
 

Assim como ocorre para os demais alimentos, o cultivo orgânico de microalgas não resulta em uma qualidade nutricional superior, o balanço nutricional das algas é quase que idêntico para ambas as técnicas de produção.

É preciso destacar ainda que mesmo para o cultivo usual de microalgas, a utilização de agrotóxicos e substâncias dessa natureza não é necessária, visto que tratam-se de organismos microscópicos cultivados em ambientes isolados com condições controladas.

Os benefícios relacionados à proteção ambiental valem tanto para o cultivo usual quanto para o cultivo orgânico de microalgas, já que a não utilização de agrotóxicos e o isolamento não permitem que haja contaminação do alimento e do ambiente ao seu redor.

O principal pilar para um cultivo orgânico de microalgas como a Spirulina e a Chlorella torna-se, portanto, a utilização de nutrientes de fontes orgânicas, como rejeitos.

Elas proporcionam um crescimento natural um pouco mais lento, um dos motivos pelo qual produtos desta categoria tornam-se mais caros se compararmos alimentos orgânicos e inorgânicos.

Vale ressaltar ainda que apesar de tornar o cultivo orgânico, a utilização de rejeitos como nutrientes para as microalgas aumenta significativamente o risco de contaminação por outros microorganismos como bactérias, em alguns casos patogênicas. Exigindo uma maior vigilância.

Você deve estar se perguntando. Então não há benefícios no consumo de microalgas como Spirulina e Chlorella orgânicas?

Existem sim!

O principal é a segurança alimentar. Uma vez que todos os produtos com alegação orgânica são certificados por instituições e órgãos reguladores, existe uma fiscalização constante e mais exigente sobre todas as etapas da produção, afirmando ainda mais a qualidade e a segurança desses produtos.

As algas orgânicas têm ainda a garantia de que nenhum insumo inorgânico foi utilizado na produção, o que caracteriza um produto 100% natural.

Quer saber mais sobre esse assunto, alimentos orgânicos e inorgânicos e também os superalimentos? Confira outros artigos aqui no blog da Ocean Drop!

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