O mundo tem necessidade de produzir sempre mais alimentos. Além disso, a gestão empresarial dos processos produtivos agrícolas levou à necessidade de rendimento e produtividade cada vez maiores.

Para alcançá-los com resultados positivos, foi necessária a adoção de tecnologias mais avançadas e adequadas para grandes produções.

Do mesmo modo, a utilização de insumos agrícolas tornou-se mais intensa, principalmente o uso dos defensivos e dos fertilizantes químicos sintéticos.

Assim, os defensivos químicos (agrotóxicos) para controle de pragas e doenças protegem a lavoura, enquanto os fertilizantes produzidos pelas indústrias químicas garantem maior produtividade no campo.

No entanto, produzir mais não significa garantir uma produção melhor. E, desse modo, surge a produção orgânica de alimentos, com os olhos voltados para a qualidade do alimento produzido e para uma vida saudável.

Acompanhe este post e conheça as principais diferenças entre alimentos orgânicos e não orgânicos, inclusive para microalgas!

Alimentos orgânicos e convencionais

Recentes revisões em centenas de trabalhos científicos a respeito dos aspectos nutricionais dos alimentos orgânicos demonstraram que esses alimentos não têm mais nutrientes que os convencionais.

Com exceção do fósforo, nutriente em que os alimentos orgânicos são mais ricos, os demais podem estar presentes em ambos os tipos de alimentos.

No entanto, não é apenas a quantidade de nutrientes que caracteriza a sua superior qualidade para o consumo humano.

É preciso também  segurança alimentar, isto é, a sua não contaminação com elementos químicos sintéticos utilizados na agricultura convencional e até mesmo microorganismos patogênicos .

Antes de tudo, o que faz um alimento ser orgânico é a forma como foi produzido. Assim, o sistema de produção agrícola adotado é que caracteriza a condição orgânica do alimento.

Sistemas de produção diferentes

A agricultura orgânica não faz uso de defensivos químicos para proteger a lavoura das pragas e doenças que a podem atingir. Para a proteção das plantas cultivadas, a produção orgânica lança mão de técnicas como:

  • Rodízio de culturas: a cada colheita, a espécie cultivada é trocada, evitando-se o plantio sucessivo de plantas da mesma família, uma vez que, via de regra, são suscetíveis às mesmas doenças e têm exigências nutricionais diferentes
  • Consórcio de culturas: espécies diferentes são plantadas de modo intercalado, com vistas a interromper a continuidade espacial de plantas igualmente suscetíveis às mesmas pragas e doenças, assim como de exigências nutricionais diferentes
  • Plantas atrativas: cultivam-se nas proximidades da lavoura plantas atrativas de pragas, de modo a facilitar o seu controle;
  • Inseticidas naturais: plantas como o tabaco e a flor de píretro, dentre muitas outras, são utilizadas para a produção de caldas inseticidas empregadas na lavoura orgânica.

Por outro lado, a produção agrícola orgânica não faz uso de fertilizantes químicos. A correção dos solos do ponto de vista nutricional, físico e químico se realiza com produtos naturais, oriundos da moagem de rochas, principalmente.

Outra forma de atender às necessidades físico-químicas dos solos é a utilização do composto orgânico.

Este é produzido por meio do sistema da compostagem natural, utilizando-se apenas de materiais orgânicos, como folhas, aparas de capim cortado e esterco animal.

Além dos aspectos de uso de defensivos e fertilizantes químicos utilizados pela agricultura convencional, os alimentos orgânicos caracterizam-se ainda por não serem produzidos com o uso das chamadas sementes transgênicas, resultantes de manipulação genética.

Benefícios do consumo de alimentos orgânicos

O consumo de alimentos orgânicos caracteriza um aspecto da alimentação mais natural e traz algumas vantagens para a saúde, sobretudo para as crianças.

Por sua vez, também o meio ambiente é beneficiado com a prática orgânica. Os principais benefícios podem ser assim relacionados:

  • Isenção de agrotóxicos

A produção agrícola moderna, em especial para determinadas culturas mais sensíveis, faz uso intensivo de defensivos químicos.

Assim, inseticidas, fungicidas e herbicidas, dentre tantos outros, deixam resíduos nos vegetais (raízes, folhas, frutos). Muitas vezes, mesmo uma boa lavagem desses produtos não é capaz de eliminá-los, pois penetram nos tecidos da planta.

Por isso, é essencial incluir alimentos na sua dieta que atuam como detoxificantes. Leia o nosso blogpost sobre o superalimento detox aqui!

  • Sabor e aroma mais intensos

Na agricultura orgânica, não há um esforço químico por meio de fertilizantes para induzir ao crescimento, pois o foco não é a aparência do produto.

Desse modo, os alimentos orgânicos são mais íntegros e equilibrados em sua constituição natural, resultando em produtos mais saborosos e de aromas mais intensos.

  • Proteção das águas

Todo produto aplicado na lavoura, seja o adubo químico ou os diversos defensivos, com a vinda das chuvas, logo alcança os corpos d’água (riachos, córregos, lagos), contaminando-os.

Por outro lado, as águas da chuva também infiltram-se, movimentam-se no interior do solo e alcançam os lençóis freáticos carregadas daqueles produtos.

A prática da agricultura orgânica evita a contaminação das águas, protegendo plantas, animais e pessoas do risco de um processo de intoxicação acumulativa.

  • Proteção dos solos

Solos cultivados pelo sistema convencional rapidamente perdem importantes características biológicas, tornando-se meros substratos físicos e químicos em razão da exclusão da vida que neles naturalmente pulsa.

Da mesma forma com que protege as águas, também a vitalidade dos solos é protegida do efeito residual (acumulação) resultante da utilização de adubos químicos e, principalmente do intenso uso de agrotóxicos.

  • Proteção da biodiversidade local

O conjunto de todos os seres que vivem em um local tende a desenvolver relações de equilíbrio entre si e com o meio ambiente em que estão inseridos.

Nesse contexto, a utilização de biocidas (produtos para matar plantas invasoras, insetos, fungos) afeta drasticamente esse equilíbrio e elimina diversas formas de vida animal e vegetal.

A agricultura orgânica, ao contrário, estimula essas relações e provoca um incremento na biodiversidade da região onde se implanta.

Desse modo, microrganismos, minhocas, insetos, assim como grandes animais que participam daquele equilíbrio, são profundamente beneficiados com a produção de alimentos orgânicos.

  • Sustentabilidade garantida

A natureza da prática agrícola orgânica é totalmente sustentável, uma vez que o seu princípio é o fomento da reciclagem natural dos materiais orgânicos na propriedade.

Portanto, na produção do alimento orgânico, não há exaurimento do solo (esgotamento da regular capacidade produtiva).

Dessa forma, o abastecimento de futuras gerações pode ser garantido, principalmente se cada vez mais consumidores utilizarem alimentos orgânicos.

  • Estímulo à produção orgânica

Se mais pessoas fazem uso de alimentos orgânicos, aumenta-se a demanda e, desse modo, estimula-se a produção. Assim, mais produtores orgânicos surgem, pois passa a existir um mercado maior a exigir mais produtos.

Com isso, reafirma-se a garantia oferecida pela sustentabilidade de abastecimento das futuras gerações de modo a não comprometer a disponibilidade de alimentos mais saudáveis.

Conceito orgânico para microalgas:

Em relação ao cultivo de microalgas, os principais pontos de atenção para determinar de um cultivo orgânico se mantém:

  • Não utilização de nutrientes inorgânicos e ou sintético.
  •  A ausência de agrotóxicos pesticidas, herbicidas, inseticidas ou qualquer outra substância desta natureza.

Assim como ocorre para os demais alimentos, o cultivo orgânico de microalgas não resulta em uma qualidade nutricional superior, o balanço nutricional das algas é quase que idêntico para ambas as técnicas de produção.

É preciso destacar ainda que mesmo para o cultivo usual de microalgas, a utilização de agrotóxicos e substâncias dessa natureza não são necessários visto que trata-se de organismos microscópicos cultivado em ambientes isolados com condições controladas.

Os benefícios relacionados à proteção ambiental, valem tanto para o cultivo usual quanto para o cultivo orgânico de microalgas, já que a não utilização de agrotóxicos e o isolamento não permitem que haja contaminação do alimento e do ambiente ao seu redor.

O principal pilar para um cultivo orgânico de microalgas como a Spirulina e a Chlorella torna-se, portanto, a utilização de nutrientes de fontes orgânicas, como rejeitos.

Que proporcionam um crescimento natural um pouco mais lento, um dos motivos pelo qual produtos desta categoria tornam-se mais caros.

Vale ressaltar ainda que apesar de tornar o cultivo orgânico, a utilização de rejeitos como nutrientes para as microalgas aumenta significativamente o risco de contaminação por outros microorganismos como bactérias, em alguns casos patogênicas. Exigindo uma maior vigilância.

Você deve estar se perguntando. Então não há benefícios no consumo de microalgas como Spirulina e Chlorella orgânicas?

Existem sim benefícios de microalgas orgânicas!

O principal é a segurança alimentar. Uma vez que todos os produtos com alegação orgânica são certificados por instituições e órgão reguladores, existe uma fiscalização constante e mais exigente sobre todas as etapas da produção, afirmando ainda mais a qualidade e a segurança alimentar desses produtos.

As algas orgânicas têm ainda a garantia de que nenhum insumo inorgânico foi utilizado na produção. Caracterizando um produto 100% natural.

Ficou interessado em conhecer e consumir microalgas?

Acesse esses blogposts que escrevemos sobre Spirulina e Chlorella e saiba mais sobre os benefícios desses superalimentos. 🙂