Catabolismo muscular: o que é e como evitar

Catabolismo muscular: o que é e como evitar

Não se trata apenas de não atingir uma estética musculosa e forte, perder massa muscular não é nada vantajoso para qualquer pessoa. A massa muscular tem ampla função na manutenção da saúde, impactando diretamente na qualidade de vida e longevidade. É por essa razão, que a maior parte dos profissionais e especialistas em saúde defendem que o catabolismo muscular, de forma expressiva, deve ser evitado a todo custo, bem como o fortalecimento muscular deve ser incentivado. 

Perder músculos não só nos torna mais vulneráveis à lesões, como também torna o metabolismo mais lento, diminuindo a quantidade de calorias que o corpo queima em repouso. Esse cenário não parece nada favorável, concorda? E não é mesmo! 

Continue lendo este artigo para saber o que é e como evitar o catabolismo muscular.

O que é catabolismo muscular?

O catabolismo, nada mais é, do que o processo metabólico no qual substâncias maiores são quebradas em menores para liberar energia. Esse é um processo básico do nosso organismo que acontece o tempo todo para que a gente permaneça vivo. Um exemplo simples de processo catabólico é a digestão, onde os alimentos que ingerimos são quebrados em moléculas menores para servirem de combustível para as células do corpo.

Esse mesmo processo ocorre no tecido muscular esquelético, quando o músculo é degradado para fornecer energia na falta do consumo adequado de nutrientes através da alimentação, por exemplo. É o nosso corpo literalmente “se alimentando” da massa muscular para ter energia. Nesse cenário de catabolismo muscular, a taxa de degradação das proteínas musculares supera a taxa de síntese.

Como ocorre o catabolismo muscular?

Quando a taxa de degradação das proteínas da nossa massa muscular excede a taxa de síntese, temos o catabolismo muscular. Bioquimicamente falando, as proteínas musculares são quebradas em aminoácidos que serão convertidos em glicose no fígado para atender às nossas necessidades energéticas. Mas por qual motivo o nosso corpo vai querer degradar as fibras musculares para obter energia se ele pode contar com outras fontes?

O uso da massa muscular como fonte de energia pode ocorrer nas seguintes situações:

  • desuso muscular: isso se dá quando o indivíduo não utiliza o músculo por certo tempo, como é o caso de um braço imobilizado em decorrência de uma lesão ou fratura. Além disso, pessoas acamadas por conta de doenças graves, coma ou limitações físicas severas também são acometidas pelo desuso muscular;
  • certas doenças: câncer, AIDS, diabetes e insuficiência renal são exemplos;
  • envelhecimento: perder massa muscular progressivamente faz parte do processo natural do envelhecimento;
  • desnutrição: a ingestão e/ou absorção inadequada dos nutrientes essenciais para as necessidades energéticas do corpo faz com que ele conte com a massa muscular para gerar a energia necessária para se manter vivo.

Como evitar o catabolismo muscular?

O nosso corpo é inteligente e sabe que as proteínas são a fonte energética mais “cara”, pois para se obter energia a partir delas, o processo é muito trabalhoso. Obter energia a partir dos carboidratos ou das gorduras é muito mais fácil e eficiente. Portanto, não é muito difícil evitar que o corpo recorra ao tecido muscular, já que ele está naturalmente condicionado a contar primeiro com o glicogênio e com a gordura, preservando as proteínas. Para evitar o catabolismo muscular há 2 dicas primordiais:

1. Nutrição adequada

O aporte apropriado em quantidade e qualidade de todos os macro e micronutrientes é o primeiro, e talvez mais importante, fator para evitar que o corpo utilize o tecido muscular como fonte de energia. Dietas muito restritas em calorias ou que excluem completamente certos grupos alimentares, quando realizadas por um longo período, podem estimular o catabolismo muscular. Diante disso, é fundamental priorizar a alimentação variada e equilibrada quando a intenção é evitar a perda de músculos.

Os nutricionistas são os profissionais da saúde aptos a avaliar se você está comendo muito pouco ou comendo calorias em excesso, além de poder orientar qual a dieta mais apropriada para atender às suas demandas nutricionais individuais.

2. Atividade física regular

Qualquer atividade ou exercício que exijam da nossa musculatura serão ótimos para a manutenção da massa muscular. O foco para manter a musculatura que já se tem é não se entregar ao sedentarismo completo. Nesse contexto, vale subir de escada, limpar a casa, se locomover pela cidade a pé ou de bicicleta, dançar, enfim, se manter ativo no dia a dia. 

Os exercícios resistidos, como, por exemplo, a musculação, serão especialmente vantajosos quando a intenção é não só manter a massa muscular, mas também hipertrofiar, ou seja, construir mais massa muscular (anabolismo). Isso pode ser particularmente interessante em idade avançada, quando a massa e força muscular diminuem de forma gradual e expressiva. Exercícios de força, realizados uma ou duas vezes por semana, já são capazes de melhorar a força e compensar os declínios musculares, observados em adultos mais velhos (a partir dos 65 anos).

Suplementação para catabolismo muscular

Mesmo seguindo as dicas, há casos em que o catabolismo muscular pode ocorrer e, são em casos como esses, que uma boa suplementação de aminoácidos pode ajudar a evitar a perda de músculos. Entre os aminoácidos fundamentais para a manutenção do tecido muscular, a glutamina merece destaque, já que ela é o aminoácido livre mais abundante no plasma e no tecido muscular.

Os músculos têm uma elevada capacidade de síntese e liberação de glutamina, especialmente em situações em que outros órgãos e tecidos do corpo aumentam a demanda por esse aminoácido. Isso confere para o músculo um papel metabólico fundamental na regulação da glutaminemia (quantidade de glutamina disponível na corrente sanguínea).

Em certas modalidades esportivas, os danos musculares e o estresse oxidativo que causam fadiga muscular podem ser reduzidos pela glutamina. Além disso, a glutamina também apresenta um relevante papel imunomodulador, anti-inflamatório, antioxidante indireto e, ainda, responsabilidade pelo aumento da síntese de glutationa.

Leia mais sobre: O CONSUMO DE GLUTAMINA AUXILIA NA IMUNIDADE?

Suplementar glutamina parece ser interessante para atenuação da fadiga muscular e proteção, principalmente em esportes de resistência. Além dos exercícios físicos intensos e prolongados, situações de eventos cirúrgicos, queimaduras, HIV, câncer e sepse, também são de catabolismo proteico, que elevam o consumo de glutamina pelos tecidos, excedendo a capacidade de síntese natural desse aminoácido pelo nosso corpo. Esse cenário pressupõe que seja importante um aporte extra de glutamina pela dieta através de alimentos ou suplemento de glutamina em pó.

Gostou?

Apesar do catabolismo muscular não ser algo tão fácil de ocorrer, ainda assim, estamos sujeitos a perder massa muscular pelas razões citadas aqui nesse artigo. Você certamente compreendeu que isso não é nada vantajoso para sua saúde, não é? Então se alimente bem e se mantenha ativo! Caso necessário, busque um profissional da nutrição para auxiliá-lo em relação à suplementação.

Referências

Conteúdo escrito por Rafaela Galvão, publicitária pela ESPM-SUL e estudante do 6˚semestre de nutrição na Unisul. Desenvolve projetos de comunicação e produção de conteúdo para área da saúde desde 2016.

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